“Olá pai, não me tenho sentido muito bem. Você pode me levar ao médico?”, mas a situação era muito pior do que imaginavam

Shayla Mitchell, uma jovem de 16 anos, não andava se sentindo muito bem e não conseguia parar de tossir. Ela perguntou ao seu pai, Tom, se ele poderia levá-la ao médico, suspeitando que se tratava de sinusite.

Ele se ofereceu de bom grado para a ir buscá-la depois da aula no dia seguinte e levá-la até lá, e fizeram planos para comer um pouco depois.

Quando o médico voltou à sala de exames de Shayla, o olhar no seu rosto, foi bastante desconcertante. Acontece que ela não tinha sinusite, e sim um enorme tumor cancerígeno que consumia dois terços do seu peito e até fez um dos seus pulmões entrar em colapso.

Para se distrair, eles jantaram naquela noite como planejado, exceto que estavam numa sala na unidade de oncologia pediátrica do Hospital Fairfax.

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“Nós não sabíamos disso na altura, mas acabaríamos tendo as nossas próximas 450 refeições naquele hospital, bem como centenas e centenas de refeições adicionais nos anos seguintes”, conta Tom.

Os médicos informaram Tom e Shayla que ela tinha a doença de Hodgkin no estágio 4, o que os deixou muito assustados. Antes de se sentar para dizer-lhe exatamente o que estava acontecendo, ele parou numa loja de arte indígena americana perto do hospital e comprou uma pulseira para cada um, e então deu-lhe a notícia.

“Eu conversei com ela sobre tudo e nada. Falei com ela sobre o vento e sobre penas e conversei com ela sobre o câncer. Conversamos sobre a palavra coragem. Abraçamo-nos com força por um longo tempo. Choramos e prometemos um ao outro que independentemente de tudo, nós seríamos corajosos. Juntos, nós passaríamos por tudo aquilo”, continua Tom.

Tom carinhosamente colocou a pulseira de Shayla no pulso dela, e depois colocou a dele. E depois fez uma promessa.

“Prometi que usaria a minha pulseira até ao dia em que ela estivesse livre do câncer. Que para cada noite que ela tivesse que ficar no hospital, eu ficaria com ela. Que enquanto ela fosse corajosa, eu também seria”, lembra o pai de Shayla.

Durante os dois anos que se seguiram, os dois passaram centenas e centenas de noites juntos no hospital e muitas horas na clínica de quimioterapia. Shayla suportou uma série de análises, transfusões de sangue, radiação, doses maciças de medicação nauseante e até insuficiência cardíaca logo após o início dos tratamentos de quimioterapia.

“O seu pobre coração parou de trabalhar, então eles tiveram que instalar um marcapasso no peito”, conta Tom.

Ele segurou no cabelo dela enquanto ela vomitava, na mão dela quando o cabelo caiu. Eles disseram asneiras. Choraram. Riram. Tentaram ser corajosos.

Um dia, a caminho da quimioterapia, Shayla estava indo para o carro quando começou a gritar. Tom não sabia o que fazer!

“Ajuda, pai! Está dando-me choques! Está dando-me choques!”, gritou a jovem. O desfibrilador de Shayla instalado para manter o seu ritmo cardíaco controlado começou a funcionar mal e estava disparando eletricidade. Ele agarrou-a e segurou-a firmemente, mesmo que o dispositivo com defeito quase a tenha arrancado dos seus braços, escreveu ele.

“Eu recusei-me a soltá-la. Eu apenas a segurei o mais forte que pude. Aquilo parou de lhe dar choques tão rapidamente como tinha começado, e corremos para o hospital. Acontece que o fabricante deste dispositivo teve de recolher milhares deles”, explica Tom.

Shayla foi submetida a uma cirurgia de substituição, um transplante de medula óssea e ainda mais procedimentos, até que um dia foram informados de que não havia mais nada que os médicos pudessem fazer. Tom estava perdido.

“Como é que eu poderia ter essa conversa com a minha filha querida? Como é que eu ia ser corajoso o suficiente para dizer-lhe que ela ia morrer? Eu sabia que tinha de ser corajoso por ela. É claro que tive essa conversa com ela e, por incrível que pareça, acabou por sendo a conversa mais incrível, linda, mágica, maravilhosa que já tive em toda a minha vida, e que espero que nenhum de vocês alguma vez tenha de ter”, lembra.

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Quando Tom parou de falar, Shayla sussurrou para o pai: “eu ainda sou corajosa, papai?”. Ele olhou profundamente nos seus olhos e reparou no quanto ela estava desgastada por ter lutado pela sua vida por tanto tempo.

Foi então que ele percebeu que ela não lutara bravamente por si mesma. Ela tinha sido corajosa por ele.

Alguns dias depois, Shayla faleceu. Uma coisa que Tom sabe é que ela lutou muito, lutou valentemente, foi a mais corajosa.